sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Novos livros infantis convidam à leitura compartilhada

A Tarde - 11/10/13

Literatura é igual a cartola mágica. Dos livros a gente tira todo tipo de história: de gente, de bicho, de um mundo muito muito distante ou do quintal do vizinho. Cada virada de página pode desembocar em aventuras diferentes, contadas com imagens e palavras.

Não importa se a criança é muito pequena e não sabe ler. O que vale é estar ao lado dela desde aquele momento mágico em que descobre cores, formas, texturas e primeiras palavras até quando ganha independência com seus personagens e histórias favoritos.

Para o arte-educador José Rêgo (Pinduca), a graça da brincadeira está em reconhecer o que pode emocionar o leitor, independentemente da idade. Ele destaca que a escolha do livro é apenas o primeiro passo para criar uma parceria no mundo da leitura compartilhada entre adultos, crianças e adolescentes. 

"É importante que haja essa parceria, que a criança encontre outro leitor mais experiente, com quem faça essa caminhada. O adulto é um coleitor. A descoberta feita conjuntamente vincula a criança àquele livro, ao qual depois ela volta com autonomia, pois já sabe o fluxo", diz o mestre em educação. Essa parceria pode se estender para amigos, irmãos e primos.

Interação

A interação entre pais e crianças pequenas foi um dos aspectos que surpreenderam Míriam Leitão, jornalista especializada na cobertura econômica, no feed back de seu primeiro livro infantil, A Perigosa Vida dos Passarinhos Pequenos.

"Imaginei que o livro era para crianças a partir de 7, 8 anos, que leem sozinhas, porque ele tem um texto grande e desafia a tendência atual. Vi que crianças menores acompanham a leitura feita pelos pais, tios, avós, padrinhos. Eles acabam podendo pensar juntos sobre as várias ideias que eu passo ali", explica a ganhadora do Jabuti 2012 na categoria não-ficção, com a obra Saga Brasileira: a Longa Luta de um Povo por sua Moeda.

Sensação parecida experimentou Gilberto Pinto, que estreia na literatura com a trilogia A Saga do Menino Callu. "Fiz pensando em um público entre 10 e 16 anos. Mas com a história pronta, percebi que o público mais velho também se identifica com o livro".

O primeiro livro da série será lançado em formato digital (e-book à venda na Amazon), no dia 24, na Fliquinha, programação da Festa Literária Internacional de Cachoeira destinada ao público infantil.

Mundo de temas e formas

Gilberto Pinto buscou inspiração na própria cultura baiana. A Saga do Menino Callu conta as aventuras misteriosas de um menino que descobre ter grandes poderes ofertados por forças da natureza. Já Míriam Leitão partiu da experiência com os pássaros de sua fazenda em Minas Gerais para falar de questões importantes.

"Eu não uso as palavras ecológico, ambiental, nada disso. O livro trata não só da questão ambiental, sem os jargões e sem pregação, lição de moral, mas como aventura, e assim também fala das relações humanas", explica Míriam. As belas ilustrações de seu livro funcionam como um guia de aves das matas e campos da região Sudeste.

Diante da imensidão de histórias disponíveis, vale levar em conta o conselho do especialista e prestar atenção no gosto de cada criança para acertar, já que, se lido da forma certa, a idade é um elemento secundário na hora de escolher um livro.

Assim, dá para apresentar aos pequenos importantes autores, como Clarice Lispector, que escreveu a "pedido-ordem" de seu filho O Mistério do Coelho Pensante, ou Manuel Bandeira, por meio do poema Na Rua do Sabão, publicado originalmente em 1920 e que agora ganha independência infantojuvenil.

Bichos do Lixo, ilustrado com colagens de Ferreira Gullar, é outra publicação que apresenta o texto poético e aguça a imaginação dos jovens leitores de todas as idades.

Diabos, Ogros e Princesas deve cair nas graças daqueles que já se aventuram pelas histórias assustadoras e, sobretudo, têm consciência que elas vêm de outras culturas.

Aos maiorzinhos, que por volta dos 12 ou 13 já não se sentem mais crianças, vale introduzir ao universo de Shakespeare com a releitura de Sonho de Uma Noite de Verão feita pelo paulista Dionisio Jacob.

Já Pedro Pedreiro traz a letra da célebre canção de Chico Buarque em um pequeno livro-objeto de design interessaníssimo, que permite ser "desenrolado" e lido por muitas mãos. Tudo para deixar os adultos com vontade de ter em casa também.
Dicas de leituras

Um amor de bebê
Mary França (texto) e Eliardo França (ilustração)
Editora: Global
16 páginas
R$ 18,90

Amalu perdeu um botão
Gian Calvi (texto) e Daniel Villalobos (ilustrações)
Global
56 páginas
R$ 35

O Mistério do Coelho Pensante
Clarice Lispector (texto) e Kammal João (ilustrações)
Rocco Pequenos Leitores
48 páginas
R$ 39,50

Diabos, Ogros e princesas
Ernani Ssó (texto) e Martina Schreiner (ilustração)
Artes e Ofícios
64 páginas
R$ 29

Sonho de uma Noite de Verão
Dionisio Jacob (texto)
Edições SM
240 páginas
R$ 25

Foi na Primavera
Angela Nanetti (texto) e Roberto Innocenti (ilustração)
Edições SM
142 páginas
R$ 38

Pedro Pedreiro
Chico Buarque (texto) e Fernando Vilela (ilustração)
Casa da Palavra
48 páginas
R$ 39,90

Rato
Paulo Tati e Edith Derdyk (texto) e Laurent Darcon (ilustração)
Melhoramentos
48 páginas
R$ 44

Na Rua do Sabão
Manuel Bandeira (texto) e Odilon Moraes (ilustração)
Global
16páginas
R$ 25

Sabeláonde
Cristiana Valentini (texto) e Philip Giordano (ilustração)
Caramelo
30 páginas
R$ 29,90

Bichos do Lixo
Ferreira Gullar (texto e ilustração)
Casa da Palavra
88 páginas
R$ 49,90

Débora conta Histórias
Débora de Moura (texto) e Bruna Assis Brasil (ilustração)
Alfaguara
32 páginas
R$ 34,90

A Saga do Menino Callu
Gilberto Pinto (texto) e Ana Luísa Medeiros (ilustração)
Independente
Disponível na Amazon a partir do dia 24

A Perigosa Vida dos Passarinhos
Míriam Leitão (texto) e Rubens Matuck (ilustração)
Rocco Pequenos Leitores
52 páginas
R$ 34,50

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

De onde vem o “cheiro de biblioteca”?

Hype Science - 06/10/13
Biblioteca Antiga
Adorado por alguns e detestado por outros (especialmente por quem tem rinite alérgica), o cheiro típico de lugares abarrotados de livros antigos normalmente surge de um composto chamado lignina, presente em livros fabricados entre a metade do século 19 e meados dos anos 2000 (e, em alguns países, em livros fabricados até hoje).

Essa substância começou a ser utilizada quando fabricantes de livros substituíram o algodão ou o linho por fibras de celulose. Infelizmente, a lignina é bastante instável, e com o passar do tempo diminui a acidez do papel, o que pode torná-lo frágil e quebradiço. Esse processo pode ser interrompido por substâncias como óxido de magnésio, mas o tratamento deve ser feito com cautela, para não causar estragos ainda maiores.

A ciência da preservação

Uma química da Universidade de Strathclyde (Escócia) chamada Lorraine Gibson criou o projeto Heritage Smells (“Odores de Herança”), no qual são usados espectômetros de massa para identificar, em estágios iniciais, o envelhecimento de livros que contêm lignina.

A iniciativa, se inspirar ações similares, pode ajudar na preservação de milhões de livros.


quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Literatura para o Dia das Crianças

Cinco autores infantojuvenis falam sobre leituras que marcaram suas infâncias

DANILO VENTICINQUE
08/10/2013 07h40 - Atualizado em 08/10/2013 12h42
Falta menos de uma semana para o Dia das Crianças e, conhecendo um pouco os hábitos de consumo dos brasileiros, é seguro supor que mais da metade dos pais ainda não comprou presentes para seus filhos. A coluna de hoje é para eles. Esqueçamos, por um momento, a política da Feira de Frankfurt e o absurdo da proibição das biografias não autorizadas. Há um tema literário mais urgente e relevante: as centenas de milhares de pais que não comprarão livros para o Dia das Crianças.
É óbvio, é indiscutível, é evidente que pais deveriam presentear seus filhos com livros. Escrever um texto para tentar convencê-los disso deveria ser tão absurdo e redundante quanto argumentar sobre a necessidade de dar banho nas crianças ou matriculá-las na escola. Infelizmente, muitos pais nem pensam em dar livros no Dia das Crianças. Isso diz muito sobre eles – e sobre os hábitos de leitura de seus filhos no futuro. As escolas até fazem sua parte, mas o incentivo familiar é fundamental para que crianças aprendam a gostar de ler. Essa deveria ser uma preocupação diária. O Dia das Crianças é uma boa data para assumir esse compromisso, ou para reafirmá-lo.
Um texto sobre uma data comemorativa como essa não estaria completo sem uma lista de sugestões de presentes. Decidi pedir a ajuda de cinco autores brasileiros que fazem sucesso entre crianças e adolescentes de várias idades. Eles me contaram histórias sobre livros que leram na infância e os transformaram em pessoas apaixonadas pela literatura. As obras desses autores e suas indicações são um bom ponto de partida para os pais que querem apresentar a literatura aos seus filhos, e uma ajuda para os que ainda não escolheram o que comprar para o dia 12 de outubro.
  

Flávia Lins e Silva (Foto: Divulgação)
Flávia Lins e Silva, autora de Os detetives do prédio azul (Pequena Zahar)
Peter Panna versão do Monteiro Lobato, foi o primeiro livro "grande" que me fez largar tudo para ficar na cama lendo e voando rumo à Terra do Nunca. É um livro mesmo apaixonante: tem fada, tem uma cachorro como babá, tem uma janela para um novo mundo... acho que naquela época só tínhamos mesmo a versão do Lobato no Brasil. Só anos depois fui ler a versão original e gostei mais ainda. É um livro ao qual se pode voltar muitas vezes. E a cada vez que eu o leio, me sinto voltando à minha cama de menina, na casa de minha mãe, aquele lugar aconchegante da minha infância, minha própria Terra do Nunca.”

Thalita Rebouças (Foto: Reprodução e Divulgação)
Thalita Rebouças, autora de Ela disse, ele disse - o namoro, em parceria com Mauricio de Sousa (Rocco Jovens Leitores)
“O primeiro livro que li e que lembro de ter me apaixonado foi Marcelo, Marmelo, Martelo e Outras Histórias, da Ruth Rocha. Lembro de ter dado boas gargalhadas lendo sobre a história do menino perguntador, que queria mudar as palavras e entender o porquê de tudo. Eu era exatamente assim, inquieta e contestadora, e foi imediata a sensação mágica de conexão com aquele personagem. Sonhei com o dia em que nos encontraríamos e deixaríamos os adultos loucos com tantas interrogações e palavras inventadas. Ruth Rocha me fez acreditar que aquele menino podia ser meu amigo, me fez rir, me aproximou do hábito da leitura e me fez querer ler e reler a história mil vezes.”

Fabio Yabu (Foto: Reprodução e Divulgação)
Fábio Yabu, autor de Princesas do mar (Panda Books)
“Eu não tive um único livro que fez eu me apaixonar pela literatura, mas citaria a obra da Lúcia Machado de Almeida, da antiga série Vagalume. Eu devia ter uns 8 ou 9 anos quando comecei a ler os livros dela, e me apaixonei por seu universo e por todos os outros autores da série até então, como Marcos Rey, Maria José Dupré, Pedro Bandeira, entre outros.”

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Stella Maris (Foto: Reprodução e Divulgação)
Stella Maris Rezende, autora de As gêmeas da família (Globo Livros)
"O que livro que mais me marcou, quando eu era bem pequenininha mesmo, foi As mais belas histórias, da Terezinha Casassanta. Era uma antologia de narrativas tradicionais. O título me instigava. A tradução era maravilhosa, muito bem feita. A professora lia para a classe e me apaixonei pela forma de contar as histórias. Foi livro que me fez descobrir a biblioteca. Levei para casa, li inúmeras vezes e a cada vez descobria novos detalhes e me encantava com novas histórias. Temos muitas antologias maravilhosas hoje em dia, mas essa infelizmente não é mais editada. Logo depois, comecei a ler os poemas da Cecília Meireles no livro Ou isto ou aquilo. Adorava musicalidade dos poemas dela, o ritmo, a brincadeira com as palavras. São poemas com uma força literária enorme. Ela não subestima a inteligência das crianças. A gente nasce gostando de poesia."

Blandina Franco (Foto: Reprodução e Divulgação)
Blandina Franco, autora de A caraminhola da minhoca, com José Carlos Lollo (Companhia das Letrinhas)
"Meu pai era escritor e passei minha infância ouvindo o barulho da sua máquina de escrever, que batucava no porão da nossa casa entre centenas de livros. Só isso já é bastante coisa pra fazer uma criança gostar de histórias, mas acontece que eu passava minhas férias na fazenda de minha avó numa época em que, pra telefonar tínhamos que ir até a cidade, e ligar a televisão era uma coisa que só acontecia de noite, então os livros sempre foram bons companheiros pra mim. Meus pais sempre me disseram que eu devia ler tudo o que gostasse e quando sentisse vontade; não precisava ser um clássico, valia tudo: Monteiro Lobato, contos de fadas, gibis, Asterix, Lucky Luke, Tintim...
Então eu sempre tive todo tipo de leitura ao alcance da minha mão, e acho que por isso não tive um livro em especial que tenha me marcado, tive muitos. Quando menor o que eu mais gostava era a coleção completa de contos de fadas chamada Fábulas encantadas, quando cresci um pouco, comecei a devorar os romances de Anne Golon protagonizados por uma heroína chamada “Angélica, a marquesa dos anjos”, que passava por todos os tipos de problemas enquanto pensava em seu amor, um conde heroico com uma enorme cicatriz no rosto. Depois disso, li todos os livros da Agatha Christie e policiais que caíssem nas minhas mãos, coisa que faço até hoje. Como vocês podem ver obedeci meus pais direitinho, li tudo o que me dava prazer e sempre que tive vontade."

Prêmio São Paulo de Literatura 2013 anuncia finalistas

Entre os nomes, o de Daniel Galera, com "Barba ensopada de sangue", e Luisa Geisler, com "Quiçá"


Prêmio São Paulo de Literatura 2013 anuncia finalistas Ricardo Duarte/Agencia RBS
Foto: Ricardo Duarte / Agencia RBS
Foram anunciados na tarde desta quinta-feira os 20 livros finalistas do Prêmio São Paulo de Literatura, promovido pelo Governo do Estado de São Paulo. São 10 escritores concorrendo ao prêmio de R$ 200 mil da categoria Melhor Livro do Ano e outros 10 na categoria Melhor Livro do Ano de Autor Estreante. Entre eles,Daniel Galera, com Barba ensopada de sangue e Luisa Geisler, com Quiçá.
Este ano, o Prêmio tem uma novidade para os estreantes: serão contemplados dois escritores, um com mais de quarenta anos e outro com até quarenta anos, cada um com valor de R$ 100 mil. Todos os livros finalistas foram publicados em 2012.
Confira a lista completa de indicados:
MELHOR LIVRO DO ANO
Daniel Galera - Barba ensopada de sangue (Cia das Letras)
Evandro Affonso Ferreira - O mendigo que sabia de cor os adágios de Erasmo Rotterdam (Record) 
Elvira Maria Vigna Lehmann - O que deu para fazer em matéria de história de amor (Companhia das Letras) 
Francisco J.C. Dantas - Caderno de ruminações (Objetiva) 
José Luiz Passos - O sonâmbulo amador (Objetiva) 
Miguel Sanches Neto - A máquina de madeira (Companhia das Letras) 
Ricardo Lísias - O céu dos suicidas (Objetiva) 
Ronaldo Correia de Brito - Estive lá fora (Objetiva)
Zuenir Ventura - Sagrada família (Objetiva) 
Xico Sá - Big Jato (Companhia das Letras)
MELHOR LIVRO DO ANO - AUTOR ESTREANTE
Mais de 40 anosAntonio Geraldo Figueiredo Ferreira - As visitas que hoje estamos (Iluminuras) 
Luize Valente - O segredo do oratório (Record) Maria Silvia de Souza Camargo - Quando ia me esquecendo de você (7 Letras) 
Paula Fábrio - 
Desnorteio (Patuá) 
Roberto Schaan Ferreira - 
Por que os ponchos são negros? (Editora da Cidade) 
Rodrigo Fonseca Barbosa - 
O homem que não sabia contar histórias (Record)
Até 40 anos Jacques Fux - Antiterapias (Scriptum) 
Antônio Salvador - 
A condessa de Picaçurova (Prólogo)
Luisa Dalla Valle Geisler - Quiçá (Record) 
Raphael Montes de Carvalho - 
Suicidas (Benvirá)
Criado em 2008 pela Secretaria de Estado da Cultura, o Prêmio São Paulo de Literatura é o que concede a maior premiação do País - R$ 400 mil no total. Ao todo, 187 obras foram enviados para inscrição, sendo que 168 obras de todo o País entraram na competição. Todos são livros de ficção no gênero romance - ênfase característica do Prêmio desde sua criação, em 2008, inspirado no britânico Booker Prize.
O anúncio do resultado final do Prêmio será feito no dia 25 de novembro, no auditório do Museu da Língua Portuguesa.


terça-feira, 8 de outubro de 2013

Frankfurt enfrenta o auge do livro eletrônico

Info Exame - 27/09/13

Livro eletronico
O auge do livro eletrônico e a concorrência que as editoras tradicionais enfrentam perante o comércio na internet será um dos eixos da Feira do Livro de Frankfurt, que começa no próximo dia 9 de outubro e que tem nesta edição o Brasil como país convidado.

O diretor da Feira, Jürgen Boos, apresentou nesta sexta-feira (27) em Berlim as principais novidades desta edição, na qual são esperados mais de sete mil expositores de quase uma centena de países, que continua sendo o principal ponto de encontro do mundo editorial.

A feira, explicou Boos, não quis permanecer alheia aos principais desafios do setor, que discutirá em Frankfurt a pujança de empresas como a Amazon, o futuro das bibliotecas atuais e o risco de "saturação" dos potenciais leitores perante a em massa oferta de conhecimentos.

"É um desafio e ao mesmo tempo uma oportunidade", disse Boos, que destacou a "relativa boa evolução" do setor do livro em nível global.

Também terão um espaço destacado em Frankfurt as inovações das editoras mais jovens, o crescente fenômeno da autoedição e a aposta de empresas de fora do setor nos livros como complemento de suas outras atividades.

Um exemplo claro, disse Boos, seria o do Angry Birds, popular jogo para dispositivos móveis que se traduziu em dezenas de produtos com o desenho animado de seus furiosos pássaros e que finalmente chegou ao mundo literário.

O Brasil, como país convidado, será representado por 90 autores e pelo vice-presidente Michel Temer na feira.

Após ressaltar o esforço realizado para traduzir muitos escritores cujos livros só estavam em português, Boos destacou a plataforma que a feira representará para criar uma rede de contatos entre o mundo editorial e a pujante literatura brasileira.

No total, serão apresentados 260 títulos relacionados com o Brasil, entre eles 117 livros de literatura brasileira traduzidos para o alemão com ajuda de um fundo especial.

A literatura infantil e juvenil e o "livro valioso", com desenhos e materiais exclusivos, voltarão também a ter espaço próprio e destacado em uma feira cada vez mais internacional, apontou seu diretor.

Além do Brasil, Boos ressaltou o vigor do mercado editorial em outras potências emergentes como China e Indonésia, com uma grande presença na feira, mas também participação de países como o Afeganistão e Coreia do Norte.


Itaú lança nova campanha nacional de incentivo à leitura para crianças

Portal da Propaganda - 07/10/13

O Itaú lançou, no dia 5 de outubro, uma nova campanha nacional de incentivo à leitura para crianças. Nesta ação, os adultos são convidados a ler paras as crianças e, para apoiar esse convite, o banco oferecerá gratuitamente 2,2 milhões de Coleções Itaú de Livros Infantis, totalizando 4,4 milhões de exemplares. Pais, educadores, voluntários de instituições sociais e demais interessados em aderir à mobilização têm acesso às coleções por meio do site www.itau.com.br/itaucrianca. Após a realização do cadastro, o material é enviado gratuitamente pelos Correios para todo o país.

A campanha tem novamente um plano de comunicação integrado: TV, mídia impressa, mídia online, ações em redes sociais, spot de rádio, encartes especiais, peças de mídia exterior e aplicativo para smartphone.

“A educação como parte da nossa causa é um dos pilares que muda o mundo. Nesse contexto, temos muito carinho com essa campanha e voltamos novamente à mídia com peças bem lúdicas e divertidas, a fim de impactar não somente as crianças como os pais também, para que leiam cada vez mais e incentivem esse movimento”, afirma Eduardo Tracanella, Superintendente de Marketing Institucional do Itaú Unibanco. "As pessoas são impactadas por uma quantidade cada vez maior de assuntos e acabam fazendo uma curadoria, estando abertas à conversa relevante, que traga um ponto de vista claro e inspirador das marcas. O segredo dessa campanha é trazer essa conversa para a pauta das pessoas de um jeito leve e inspirador, para que seja compartilhada e vivenciada de um jeito lúdico pelas pessoas", acrescenta o executivo.

No novo filme, personagens clássicos das histórias infantis buscam os adultos, no meio das suas tarefas cotidianas, para ler para uma criança. O conceito da campanha, criada pela DPZ, reforça essa ideia: "As histórias precisam de você para fazer parte da vida das crianças." A campanha traz de volta alguns personagens que já tinham feito sucesso no ano passado - como o Sapo, o Lobo Mau e a Chapeuzinho - agora com o reforço de dois novos personagens - o Gigante e o Dragão.

"O objetivo da campanha é lembrar aos adultos que ler para as crianças precisa ser um compromisso, tem que fazer parte da rotina dos adultos. E depois do sucesso da campanha do ano passado, que inclusive acaba de ganhar um prêmio Effie, o grande desafio deste ano foi criar uma campanha ainda mais integrada, impactante e encantadora”, comenta Rafael Urenha, diretor Nacional de Criação da DPZ.

A campanha conta com teaser de 15" e 2 filmes de 30” para TV, cinema e internet, além de vinhetas de 5” e 7". Conta também com anúncios para revistas e jornais, mobiliário urbano, além de diversas peças e ações de internet. No Dia das Crianças, haverá ainda uma ação especial em parceria com o jornal Metro, com distribuição de máscaras e de um mini-jornal para as crianças. Está sendo lançada também a nova versão do App Itaú Criança, um aplicativo para smartphones com diversos recursos que ajudam os adultos a lerem para uma criança.


segunda-feira, 7 de outubro de 2013

O futuro do livro de papel

Exame - 27/09/13

Icone Livro Papel
Em tese, a pequena livraria da americana Keebe Fitch, a McIntyre’s Books, em Pittsboro, na Carolina do Norte, já deveria ter fechado as portas. Keebe viu o avanço das grandes redes, como Barnes & Noble, nos anos 90. Testemunhou também a explosão das vendas pela internet, sobretudo o fenômeno varejista Amazon, nos anos 2000.

E, mais recentemente, foi a vez de os e-books mudarem novamente o mercado livreiro nos Estados Unidos. Mas a loja de Keebe, herdada de seus pais e há 25 anos no mercado, vai muito bem: a expectativa é faturar 10% mais em 2013. E a McIntyre’s Books é tudo, menos um caso isolado. 

As vendas das chamadas livrarias alternativas nos Estados Unidos aumentaram 8% em 2012. O número de lojas também voltou a crescer. “Oferecemos uma série de serviços que enriquecem a experiência do cliente na livraria. Caso contrário, ele compraria online”, diz Keebe.

Em seu cardápio estão encontros com escritores e discussões entre leitores com interesses comuns. O curioso é que, até há pouco tempo, a morte do livro em papel era dada como certa — e, consequentemente, das livrarias. Sim, vendem-se menos livros em papel hoje do que em 2007 nos Estados Unidos, ano do lançamento do Kindle, o leitor eletrônico da Amazon. O futuro, porém, não parece ser de uma onipresença eletrônica. 

Depois de um início espetacular, o crescimento da venda de e-books nos Estados Unidos, mercado considerado um laboratório das experiências digitais, perdeu fôlego. De acordo com a consultoria PricewaterhouseCoopers, as vendas de e-books devem crescer 36% em 2013, mas apenas 9% em 2017 — embora sobre uma base obviamente maior.

“Não há mais fôlego para o e-book crescer como antes”, diz o consultor Mike Shatzkin, um dos maiores especialistas em mercado editorial digital. Não é que o consumidor vá perder o interesse, pelo contrário.

No mundo, a venda de e-books deverá movimentar 23 bilhões de dólares em quatro anos. Ainda assim, de cada dez livros vendidos em 2017, apenas dois serão eletrônicos, segundo as previsões mais respeitadas.

Não faz muito tempo, acreditava-se que a indústria do livro sofreria o mesmo destino da indústria fonográfica. O surgimento do MP3 abalou o mercado de CDs e, consequentemente, as grandes lojas de discos. O mercado de livros, no entanto, tem se comportado de maneira diferente.

Quase metade dos livros é comercializada pela internet nos Estados Unidos. Mas apenas 23% dos americanos leem livros eletrônicos. Ou seja, a experiência da leitura digital não acompanhou na mesma velocidade o hábito de comprar livros pela internet. 

Um levantamento do instituto de pesquisas Pew Research com 3 000 leitores mostra que o livro digital leva vantagem frente ao papel em algumas situações. No caso de viagens, a maioria prefere os e-books. Quando se trata de leitura para crianças, 80% preferem as edições físicas.

Essas evidências frustraram quem contava com um futuro 100% digital. A rede de livrarias americana Barnes & Noble apostou suas fichas no Nook, leitor eletrônico lançado em 2011. A venda do aparelho e de títulos digitais, porém, tem sido uma decepção. As sucessivas quedas de venda custaram o emprego de William Lynch, que até julho presidia a empresa. Especula-se que a Microsoft esteja negociando a compra do Nook.

A previsão mais aceita atualmente é de que haverá uma convivência entre e-books e papel. “A participação do livro digital deve alcançar no máximo 40% do total de vendas”, diz Wayne White, vice-presidente da canadense Kobo, fabricante de leitores eletrônicos, com 14 milhões de usuários no mundo.

Hoje, nos Estados Unidos, a fatia dos e-books na receita do setor é de 22% — no Brasil, é de 1,6%. “O livro digital será parte do negócio, não todo ele”, diz Sergio Herz, dono da Livraria Cultura, na qual os e-books representam 3,7% das vendas. É provável que não tenhamos de explicar a nossos netos o que são livros de papel — nem o prazer que temos ao lê-los.